Como resolver 7 grandes problemas que podem matar sua empresa

 

São Paulo – A dificuldade ao empreender não está apenas na hora de começar seu negócio próprio. Vários obstáculos tão complicados quanto obter o capital inicial ou conquistar a primeira venda surgem no dia a dia da operação.

A maioria dos desafios terá de ser resolvido a partir da sua visão empresarial. Mesmo assim, é possível se preparar para alguns problemas já vivenciados por diversos outros empreendedores.

EXAME pediu que donos de negócios elencassem situações que costumam afetar as operações, incluindo suas próprias – e quais soluções encontraram para as dificuldades.

Confira, a seguir, como resolver 7 grandes problemas que podem matar sua empresa:

1 — Não consegue clientes? Diminua a barreira de entrada e cobre por resultado

Não basta conquistar a primeira venda: se quiser que seu negócio sobreviva, é preciso manter um fluxo recorrente de consumidores.

A SmartSales é uma ferramenta criada pela empresa Avanti que trabalha justamente com o aumento de potencial de vendas de lojas virtuais. Em 2017, a Avanti faturou 5 milhões de reais.

Os fundadores Guilherme Kruger, Gustavo Dechichi, Leonardo Machado e Thiago Goulart recomendam ao empreendedor que não consegue manter clientes que reflita sobre as barreiras de entrada ao seu negócio – incluindo seus preços.

“Tente eliminar altos custos de entrada, como a taxa de montagem de um sistema. Se possível, cobre por resultado e acredite nos benefícios que seu produto irá trazer.”

 

2 — Veja (e resolva) as reclamações sobre sua empresa

Você presta atenção na reputação que sua empresa tem nas redes sociais e em sites como o Reclame Aqui? Se não deveria: com a adoção massiva dos smartphones e a democratização do acesso à internet, a propaganda negativa se propaga tão rápido quanto dados de conexão.

A dica é de Taiguara Moura, co-fundador do fast food de salada por quilo Green Station. O negócio faturou 8 milhões de reais em 2017. “Estamos vivendo uma geração de clientes bem informados e exigentes”, afirma.

Como conseguir boas avaliações, então? Voltando para as raízes e deixando de robotizar seu atendimento ao cliente. “Ofereça uma comunicação completa e exclusiva. Cresça a partir do feedback de quem escolheu sua marca.”

3 — Quer inovar mais? Traga pessoas que oxigenem seu negócio

Muitos empreendedores acreditam que a fonte de inovação para suas empresas está apenas nas percepções que eles possuem sobre seu mercado de atuação.

Ariel Costa e Edelcio Molina, criadores da plataforma para facilitar a comunicação interna em empresas SimplificaCI, recomendam ouvir também quem está ao seu redor. “Traga pessoas para o seu time que complementem o seu conhecimento e que agreguem outras experiências à empresa.”

O conselho é endossado por Sandra Rossi, CEO do grupo de viagens e turismo Verte. “Aprendi que se deve contratar devagar e demitir rápido quando for necessário, além de apostar na diversidade. Nunca contratamos apenas turismólogos, por exemplo, porque sempre acreditamos que perfis diferentes se desafiam”. Em 2017, o negócio faturou 19 milhões de reais.

4 — Fique de olho nos juros dos empréstimos e renegocie

É preciso muito cuidado na hora de pegar empréstimos para financiar projetos da sua empresa: caso as taxas sejam proibitivas, você pode estar trabalhando para o banco sem nem perceber.

É o que alerta Antonio Petrus Kalil Filho, diretor geral da academia Tio Sam Camboinhas, em Niterói (Rio de Janeiro).

“Não trabalho com capital de bancos com juros acima de 15% ao mês em hipótese nenhuma. Preciso ter uma margem de conforto se necessitar me endividar um pouco mais, em situações de oportunidades”, explica.

5 — Tenha cuidado com seu contrato societário

No começo de um negócio, você e seus sócios parecem ter tudo que é preciso para fazer o empreendimento dar certo. No dia a dia da operação, porém, desavenças podem surgir e complicar a gestão da empresa a ponto de fazê-la fechar as portas.

A solução para evitar conflitos de relacionamento é elaborar um bom contrato societário (ou revisá-lo), afirma Edrey Momo, sócio da rede de restaurantes Grupo da Esquina. A rede faturou 14 milhões de reais em 2017.

“Escolha muito bem quem será seu sócio e defina um acordo que delimite as responsabilidades e trabalhos de cada um e escreva as regras de entrada e saída da empresa, no caso de possíveis desistências”, aconselha.

Esse segundo ponto é reforçado por Lázaro Malta, CEO e sócio-fundador da empresa de tecnologia para relógios de ponto Ahgora Sistemas, que usa conceitos como computação em nuvem e Internet das Coisas (IoT).

“Se você vai ter sócios, veja uma maneira de sair dessa parceria de forma clara. Tem que pensar que nem sempre vai dar tudo 100% certo e evitar perder um amigo ao longo da operação de um negócio”. Em 2017, o negócio faturou 18 milhões de reais.

6 — Faça a tecnologia ser amiga dos seus processos

Como você anota tudo que acontece no seu negócio? Se você apenas usa planilhas – ou, pior ainda, funciona na base da tentativa e erro -, saiba que está comprometendo a chance de sua empresa ter sucesso.

Marco Giroto, fundador da escola de computação e robótica SuperGeeks, lista os benefícios que sua empresa teve com a estruturação de processos. O negócio faturou 15 milhões de reais em 2017.

“Implementar tecnologia em todas as áreas faz com que você não precise ter um folha de pagamento muito grande, além de as tomadas de decisão ficarem muito mais rápidas com o acesso fácil aos dados.”

 

7 — Confira (de verdade) suas obrigações fiscais

Cumprir todas as burocracias exigidas para uma empresa no Brasil não é uma tarefa simples. Mas, em especial, a falta de atenção com as notas fiscais pode prejudicar não apenas o controle do seu estoque, mas toda a organização do orçamento do negócio (incluindo aí a declaração do Imposto de Renda).

Alguns erros comuns são o fornecedor não enviar o arquivo de armazenamento das notas fiscais, conhecido como XML, perceber erros tributários apenas após o prazo de 24 horas legais para o cancelamento da nota e o papel não chegar a tempo para a escrituração da nota faturada.

Christian de Cico, empreendedor do negócio de controle fiscal Arquivei, afirma que a solução para tantos problemas está em um sistema em nuvem, que permita a consulta ativa das notas (ou seja, recebê-las logo após a emissão).

“A adoção do sistema em tempo real dá tempo para conferência da nota dentro das 24 horas legais e eventuais cancelamento e nova emissão, em caso de erros tributários. Com a adoção de um sistema pronto em nuvem, o custo é imensamente inferior, seja por prescindir de espaço físico ou de sistemas de segurança contra furtos de dados sigilosos“. Em 2017, a Arquivei faturou 15 milhões de reais.

Fonte: Exame

Refugiados e empresários debatem inclusão de estrangeiros no setor privado do Brasil

 

Empresários e gestores de recursos humanos reuniram-se na semana passada (28), na sede do LinkedIn, em São Paulo, para debater a inclusão de pessoas refugiadas no mercado corporativo do Brasil. Com a participação de ONGs e estrangeiros que vivem no país em situação de refúgio, encontro abordou benefícios da diversidade no setor privado.

“Muitas pessoas refugiadas conseguem trabalho, mas em posições aquém de sua formação e, com isso, tem seu potencial minimizado”, afirmou o refugiado Alphonse Nyembo, de 30 anos. Há cinco anos em território brasileiro, o congolês, que fala seis idiomas, atua no setor de tecnologia em uma multinacional de telecomunicação.

Mas chegar a essa vaga foi um caminho árduo. Graduado em Jornalismo, Alphonse não conseguiu trabalhar em sua área de formação e decidiu buscar novas qualificações. No Brasil, conseguiu se capacitar em mecatrônica e robótica.

“Há um desperdício de talentos no mercado brasileiro por enxergarem os refugiados sob uma ótica assistencialista e não, dentro das potencialidades que podem ser agregadas às empresas”, defende o congolês.

Uma das pautas do evento na capital paulista, promovido pela ONG Migraflix, foi o relatório “Diversidade Importa” (Diversity Matters, em inglês), publicado pela consultoria McKinsey.

“A pesquisa mostra que as empresas mais diversas são capazes de escolher os melhores talentos profissionais, além de melhorar a relação com seus clientes, a satisfação interna dos colaboradores e o processo de tomada de decisão. Mesmo sendo necessário um período de adaptação de uma pessoa refugiada ao novo ambiente corporativo, como não enxergar o potencial no longo prazo?”, questionou o diretor da Migraflix, Jonathan Berezovsky.

Para Maira Habimorad, presidente do Grupo Cia. de Talentos, o sistema de empregabilidade vigente tem como foco o curto prazo e retorno apenas financeiro. Segundo a especialista, cerca de 65% dos contratantes deixaram de priorizar a universidade e o curso de formação dos candidatos, “pois há um interesse maior pela desenvoltura desse profissional em ambientes de frequentes transformações”.

Na avaliação do gerente de Inclusão da Telefônica Brasil, Djalma Scartezini, “todos nós deveríamos conhecer as pessoas não pelas afinidades entre elas, mas pelas diferenças, porque é com esta perspectiva que soluções inovadoras são incorporadas nas empresas”.

“Se todos os profissionais tiverem uma mesma formação educacional, vierem de um mesmo local e pertencerem a mesma classe social, como esta empresa vai se adaptar às constantes mudanças do nosso tempo?”, perguntou.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) participa em São Paulo e outras capitais brasileiras de projetos de integração local e acesso ao trabalho para pessoas refugiadas. Atualmente, há uma ampla rede de organizações e empresas parceiras que oferecem serviços de capacitação e aperfeiçoamento profissional, ensino de português, revalidação de diplomas e acompanhamento escolar.

Parceiros do organismo das Nações Unidas também desenvolvem projetos de cadastro e encaminhamento de profissionais em situação de refúgio para postos de trabalho no setor privado. Em São Paulo, além do Migraflix, atuam nesse segmento o Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados (PARR) e as ONGs Compassiva, Estou Refugiado e Missão Paz.

Fonte: ONU BR

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